Para a flor que não perece

PARA FLOR QUE NÃO PERECE
Mack Mcnamrara

Certa vez uma flor que nascida diferente das outras se pôs em desgosto por causa do julgamento alheio. Em uma floricultura repleta das mais belas rosas, flores e margaridas de Deus, havia um pequeno arranjo em um tosco vaso de barro. Nele residia um pequeno botão de rosa amarela confeccionado em plástico e fibra. Desses que tem na sua casa ou na minha. Ficava numa mesa de canto esquecida pela luz. Já o mofo aparecia pintadinho aqui e ali nas pétalas cerradas do botãozinho.

Dona Rosa ao chegar do mais lindo campo de flores das redondezas, ao se deparar com aquela triste figura, gabou-se de sua nobre beleza e bom nascimento:

- Botão de plástico por acaso tu tens o perfume das matas ou doçura do orvalho impregnado em tuas pétalas?

O botão artificial respondeu cabisbaixo:

- Não.

- E a minha cor fabulosa? Por acaso vistes mais bela imagem? – disse sorrindo a rubra rosa.

Novamente de voz triste, respondeu o botão:

- Não.

E a rosa vermelha, toda prosa, ainda falou:

- Logo serei comprada e dada de presente a algum amor, namorada ou mamãe que me espera! E você?

- Só olho a vida que passa – constatou com pesar o botão de plástico.

De repente uma mão tolheu a rosa vermelha e a levou. Por cima dos ombros do florista ela sorria de escárnio do botão amarelo.

E como se o céu se abrisse, veio uma criança e derrubou o vaso do botão mofado. O florista vendo que não havia mais utilidade para pequena flor artificial, a deitou no lixo.

Sozinho na lixeira o botão se lamentou:

- Triste de mim. Frio e sem cor. Nunca minhas pétalas se abrirão. Nem minha casa eu tenho mais. Das mãos os homens, fui feito e de coração desfeito. Eis me na solidão…

Horas se passaram até que uma menininha revirou o lixo. Não que fosse extremamente pobre a criança, mas, num desses acasos da vida, achou o botão abandonado ao tempo. Levou-o pra casa. Lavou-o. Perfumou-o e deu-lhe um novo vazinho. Ao final do dia, antes de descansar a menininha deu um beijo no botão e disse:

- Dorme bem minha florzinha que não morre!

 MORAL:
“Jamais se desespere em meio às mais sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda.”
(Provérbio Chinês)

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